Solidariedade faz a diferença para enfrentar crises de saúde e financeira

Solidariedade faz a diferença para enfrentar crises de saúde e financeira

A manicure Gleice de Franca Gaspar, 30 anos, residente em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba, perdeu quase todas as clientes com o início do isolamento social instituído como medida preventiva à contaminação pela Covid-19. O marido dela, Francisco de Campos Santana, que é pedreiro, também enfrenta dificuldades para conseguir trabalho nesse período. Mas o casal, que mora com os dois filhos, a mãe de Francisco e a tia de Gleice, está conseguindo atravessar esse momento difícil graças à solidariedade de conhecidos, como pessoas que frequentam a mesma igreja do casal e fizeram doações de cestas básicas à família. “Sem isso, não sei como a gente estaria. Nós recebemos a ajuda emergencial do governo, mas o dinheiro não é suficiente”, conta Gleice.

A doméstica Inês de Morais, 62 anos, moradora na Lapa, está afastada do trabalho desde a última semana de março, mas continua recebendo normalmente seu salário mensal. Os empregadores dela, com quem ela trabalha há mais de 20 anos, acharam que o melhor era que Inês ficasse em casa, até porque integra grupo de risco. “Mas eles não pararam de me pagar, nem fizeram qualquer desconto. Se não fosse isso, eu não poderia ficar em casa e me proteger do coronavírus”, comenta.

O motorista de van escolar Claudio Barszcz, 43 anos, de Curitiba, há três meses não transporta estudantes como reflexo da suspensão das atividades escolares. O mesmo ocorre com sua esposa, Eliane da Silva Barszcz, 40 anos, que também conduz veículo escolar. Os dois estão com dificuldades para pagar as contas da família – eles têm dois filhos pequenos e o pai de Cláudio, que mora com eles, está doente e necessita de muitos cuidados. Mas o casal também está superando essa situação com o apoio de pais de estudantes que contrataram seus serviços no início do ano e continuam pagando as mensalidades. “Muita gente deixou de pagar e não podemos nem falar nada, pois não têm condições para isso. Mas tem aqueles que estão fazendo os pagamentos. Estamos usando os valores para quitar as contas emergenciais, entre elas o salário das duas auxiliares, que nos ajudavam nas vans e que também precisam muito desse dinheiro”, relata Cláudio.

Essas três histórias mostram como atos de solidariedade, empatia e consciência podem deixar os dias de pessoas como Gleice, Inês e Cláudio um pouco menos difíceis neste período marcado por inúmeras restrições por causa da pandemia de coronavírus. O momento é de uma grave crise sanitária que acaba por refletir em várias áreas, afetando inclusive o sustento de muitas pessoas. Mas está sendo marcado também por uma onda de atos de generosidade para ajudar quem está em dificuldades.

Atitudes como essas, de compaixão ao próximo, não são praticadas, porém, somente por quem entrega algo a alguém. Também é solidário quem se oferece para prestar um serviço, como fazer compras para pessoas em grupos de risco; quem adquire produtos ou serviços nos estabelecimentos menores de bairro, para ajudar os pequenos empreendedores, e mesmo quem se esforça para ficar em casa e assim proteger a si mesmo e aos outros, já que, com isso, evita a circulação do vírus e o aumento do contágio. Ou seja, a assistência, o socorro e o cuidado são acessíveis a todos.

Distanciamento e políticas sociais – Por isso, ao tempo em que o Ministério Público sustenta a permanência do afastamento social como medida que, ainda, deve ser praticada por todas as pessoas que puderem, porque é isso que recomendam a Organização Mundial de Saúde e a comunidade científica nacional e internacional – principais autoridades quando o assunto é saúde –,  também contribui para o ativismo solidário da comunidade, instando o poder público a estabelecer políticas sociais compensatórias e a executá-las prontamente de forma a prover os mais necessitados de meios básicos de subsistência, em respeito a sua dignidade como seres humanos. Ademais, a instituição defende a adoção de políticas voltadas a amenizar encargos fiscais e ônus que recaem sobre o comércio e as atividades econômicas que, pelo seu contexto e fragilidade, careçam de novos prazos e do apoio que seja possível conceder, temporária e justificadamente, para evitar até mesmo o seu perecimento.

É com a ampla coesão e participação da sociedade, em conjunto com os poderes públicos constituídos, ou por si mesma, exercendo sua autonomia, que devem ser organizadas as ações de recíproco apoio e solidariedade para o enfrentamento dos efeitos da pandemia, construindo-se um novo padrão de responsabilidade coletiva, compassivo e vigoroso. E, assim, com generosidade, elevar as formas mediante as quais nos tratamos uns aos outros como grupo humano e, desse modo, assegurarmos os “valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social” (preâmbulo da Constituição Federal).

Nesse cenário, a Procuradoria-Geral de Justiça, em conjunto com o Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Proteção à Saúde Pública e as Promotorias de Justiça presentes em todo o estado, têm se empenhado para oferecer contribuições concretas e efetivas a fim de que o Paraná consiga superar esse momento extremamente difícil que a sociedade atravessa.

 

Mensagem do Procurador-Geral de Justiça

Talvez soe apropriada para o momento a advertência de Esopo contida na lição que a cegonha dá à raposa. Esta, julgando-se esperta, serve no jantar sopa em prato raso que não pode ser saboreada por aquela devido ao seu enorme bico. A cegonha, porém, retribui o jantar servindo sopa à raposa em uma jarra alta com gargalo estreito. Ou seja, vale a máxima de Confúcio: Aquilo que não desejas para ti, também não o faças às outras pessoas, pois devemos tratar os outros tal como desejamos ser tratados.

Esses ensinamentos não vêm apenas de fábulas, mas mais do que nunca da dura realidade que nos assola. Compõem, aliás, um belo capítulo da filosofia racionalista, no paradigma da justiça conhecido como regra de ouro.

Calha a propósito da pandemia e do acender de nosso sentimento de solidariedade e empatia porque, afinal de contas, despertamos num novo amanhecer, conscientes de que somos todos iguais e que dependemos uns dos outros. A vida é uma conexão cíclica de nossa humanidade. Assim, como já se disse, apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si, uma vida (Sêneca).

Os relatos acima retratam que um pouco de perfume sempre fica nas mãos de quem oferece flores, como no conhecido canto que completa a frase assinalando a importância das mãos que sabem ser generosas.

O MPPR demonstra sua solidariedade às vítimas do contágio dando prosseguimento à sua atuação responsável e destemida, combatendo o bom combate, fazendo uma leitura adequada do presente para melhor preparar o futuro. Afinal, a solidariedade é o amor em movimento.

Gilberto Giacoia

Fonte: MPPR

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